Estudiosos
confirmam ser, realmente, a cerâmica a mais antiga
das indústrias. Ela nasceu no momento em que o homem
começou a utilizar-se do barro endurecido pelo fogo.
Desse processo de endurecimento, obtido casualmente, multiplicou-se.
A cerâmica passou a substituir a pedra trabalhada,
a madeira e mesmo as vasilhas (utensílios domésticos)
feitas de frutos como o coco ou a casca de certas cucurbitácias
(porongas, cabaças e catutos) .
As
primeiras cerâmicas que se tem notícia são
da Pré-História: vasos de barro, sem asa,
que tinham cor de argila natural ou eram enegrecidas por
óxidos de ferro. Nesse estágio de evolução
ficou a maioria dos índios brasileiros. A tradição
ceramista — ao contrário da renda de bilros
e outras práticas artesanais — não chegou
com os portugueses ou veio na bagagem cultural dos escravos.
Os índios aborígines já tinham firmado
a cultura do trabalho em barro quando Cabral aqui aportou.
Por isso, os colonizadores portugueses, instalando as primeiras
olarias nada de novo trouxeram; mas estruturam e concentraram
a mão-de-obra. O rudimentar processo aborígine,
no entanto, sofreu modificações com as instalações
de olarias nos colégios, engenhos e fazendas jesuíticas,
onde se produzia além de tijolos e telhas, também
louça de barro para consumo diário. A introdução
de uso do torno e das rodadeiras parece ser a mais importante
dessas influências, que se fixou especialmente na
faixa litorânea dos engenhos, nos povoados, nas fazendas,
permanecendo nas regiões interioranas as práticas
manuais indígenas. Com essa técnica passou
a haver maior simetria na forma, acabamento mais perfeito
e menor tempo de trabalho.
Quando
os populares santeiros, que invadiram Portugal no século
XVIII, introduziram a moda dos presépios, surgiu
a multidão de bonecos de barro de nossas feiras.
Imagens de Cristo, da Virgem, Abades, de santos e de anjos
começaram a aparecer. Os artistas viviam à
sombra e em função da Igreja ou dos seus motivos.
O mais célebre artista dessa fase foi Antônio
Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
Pouco
a pouco — da mesma forma que aconteceu com o teatro
católico medieval que foi transformado no Brasil
em espetáculos populares como as pastorinhas, o bumba-meu-boi
e os mamulengos — a arte do barro foi se tornando profana.
Ao final, era o seu meio que os artistas começaram
a retratar: simplificaram as formas que passaram apresentar,
sem nenhum artifício, tipos, bichos, costumes e folguedos.
Muito legal Raquel, adorei!!
ResponderExcluirFernanda.
Ai gente eu nao estou dando conta de ler tudo,pois é tudo muito interessante!
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